Assente numa perspectiva jus-historiográfica, esta linha de investigação tem por objectivo estudar os aspectos dogmáticos e axiológicos do Direito Privado, visando obter uma compreensão do Direito das épocas passadas e do modo como evoluíram os diversos institutos jurídicos.
É dedicada uma especial atenção ao Direito Romano, à História do Direito Português, Europeu e da Lusofonia, bem como à Teoria do Direito.
Neste contexto, há que salientar o projecto “Juristas Portugueses do Período do Ius Commune I – século XVI”, em curso desde 2024, que tem por fito o levantamento das obras latinas dos juristas portugueses do século XVI, muitas delas desconhecidas no seu conteúdo, que mais relevo tiveram no seu tempo, na área do Direito privado, com projecção sobre a discussão científica posterior, e que mantenham interesse para o conhecimento do Direito português e europeu hodierno, bem como a tradução e publicação de obras representativas seleccionadas dentre aquelas. No actual momento da investigação, foi seleccionada como obra a traduzir, pela sua relevância, a de Aires Pinhel sobre a rescisão da compra e venda.
De igual modo, sem esquecer a relevância do Direito Romano para o desenvolvimento do Direito Ocidental, decorrerão em 2026 novamente os Encontros Jurisromanísticos, na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, sob promoção do CIDP. Os Encontros Jurisromanísticos, já na IX edição, têm incidido sobre temas de Direito Romano e tradição romanística, com impacto muito relevante no estudo histórico do Direito privado. Este ano o tema gira em torno da alea no direito romano e daquilo a que mais tarde se chamaram os contratos aleatórios, pretendendo-se contribuir para o maior conhecimento destas matérias, pouco exploradas na perspectiva histórico-jurídica, mas com contributos importantes para o estudo hodierno do Direito privado.
Com contornos contemporâneos, esta linha de investigação acolhe também o Projecto “Código Civil Português- working papers”, que tem por propósito dar a conhecer os estudos e as várias versões de cada um dos 2334 artigos do Código Civil vigente (versão publicada no jornal oficial, 25 de Novembro de 1966). Entregue, desde 2024, a uma equipa de 27 elementos coordenados pelo Professor Doutor António Menezes Cordeiro, o trabalho tem por objectivo disponibilizar a juízes, magistrados do ministério público, advogados, conservadores, notários, investigadores e estudantes uma plataforma para resposta a dúvidas sobre o significado das palavras usadas no Código Civil português. Deste modo, ao utilizador, basta apenas executar dois singelos movimentos. No primeiro, ao seleccionar um determinado artigo do Código Civil português, pode ficar a conhecer todas as versões preparatórias desse artigo, sendo elucidado pelo confronto entre elas; e, no segundo, sobre cada versão, que lhe permite ficar a conhecer os respectivos textos justificativos. O projecto cruza, assim, a História do Direito, o Direito Civil e a Teoria do Direito, tornando-se uma ferramenta indispensável para os juristas e estudantes de Direito.
A plataforma será de acesso gratuito, estará disponível em 2027, e conta com a parceria do Arquivo Nacional da Torre do Tombo que disponibiliza ao CIDP as cerca de 30 mil páginas dos fundos documentais de intervenientes na feitura do Código: Antunes Varela (Ministro da Justiça durante os anos decisivos da feitura do Código), Paulo Merêa, Inocêncio Galvão Telles e Miguel Galvão Teles.
Complementarmente, estão a ser preparadas outras iniciativas, concretizadas através da realização de seminários e congressos e da publicação de livros, nomeadamente questionando criticamente as actuais linhas da historiografia jurídica ocidental, bem como o aprofundamento e correlação do Direito com a grande área das Humanidades, designadamente, a ligação que é possível estabelecer entre aquela área científica e a literatura, a poesia, o teatro, o cinema e a pintura.
Projetos Associados